Eu que o diga

“Eu que o diga”. Sem dúvidas essa é uma das frases que mais me incomoda como resposta num diálogo. Pensa, você triste querendo desabafar com alguém, liga pro seu melhor amigo e chama ele pra uma cerveja. Vocês acabam de sentar no bar e tu já manda um “cara, ta foda!”. Seu amigo, na maior inocência sem nem imaginar o que se passa na tua vida, vira e responde “eu que o diga”. Pronto. Broxou o desabafo, afinal como descarregar seus problemas em cima de alguém que está passando por algo pior? Continuar lendo

Anúncios

A dialética do amor

Afinal, o que é amar? Essa pergunta é, sem dúvidas, a mais difícil de responder. Chega a ser inclusive mais difícil que a obter a resposta “da vida, do universo e tudo mais”. Porque amar é profundamente subjetivo. Cada um possui sua forma de amar. Alguns amam em excesso, outro em falta. Alguns amam com euforia, outros com comedimento. Alguns amam de forma doentia, outros de forma livre. Porém nenhuma forma de amar é mais importante que outra. Nenhuma forma de amar é a verdade absoluta, a única forma possível. Vivemos em um mundo com 7 bilhões de habitantes, já pensou se todos amassem igual ao Lindemberg (aquele mesmo do caso Eloá)? E é justamente essa diversidade de pessoas no planeta que faz com que haja uma diversidade de formas de amar, pois cada um possui experiências amorosas diferentes, e leva os resultados dessas experiências para suas próximas relações. Isso molda a forma de cada um lidar com as várias formas de amar, afinal a memória do brasileiro pode ser curta, mas a do coração não é. Continuar lendo

O que somos?

Perdido em pensamentos sobre o atual momento brasileiro, lembrei-me de um belo texto escrito pelo mestre Celso Furtado em 1984, em ocasião do I Encontro Nacional de Política Cultural. Intitulado “Que somos?”, Furtado tece algumas críticas a forma de desenvolvimento imitativo adotada pelo Brasil, que “reforçou tendências atávicas de nossa sociedade ao elitismo e à opressão social”, criando ainda “formas mais sutis e insidiosas de dependência”. Claro que Furtado escreve tais palavras com olhos para os efeitos na construção cultural de um país, porém podemos tomar emprestado tal pensamento para uma aplicação na atual realidade brasileira. Continuar lendo

A que ponto chegou a intolerância?

Enfim as férias, e isso significa basicamente curtir meu filho e ler. Para leitura comecei “A Imortalidade” do grande Milan Kundera. É uma reedição do livro, em capa dura. Fiquei sabendo com a Companhia das Letras iria fazer isso com todos os livros dele, porém até agora, e até onde eu sei, esse é apenas o segundo. Estou ainda no começo, e espero poder falar um pouco dele numa resenha em breve. Porém me detive em um trecho do livro, e vim aqui escrever essas breves linhas com umas poucas reflexões que humildemente andei fazendo nos últimos dias. Continuar lendo

[Filmes] Poltergeist: O Fenômeno

Se existe uma classificação para coragem, minha pontuação seria negativa. Sou muito medroso, e nem tenho medo de admitir isso mesmo. Prefiro ser um bundão vivo que um corajoso morto. Talvez por isso abandonei uma antiga vontade de servir as Forças Armadas. Talvez por isso me dedique a área acadêmica e a segurança dos livros. Pra se ter uma ideia, perdi o sono assistindo “A Bruxa de Blair”, e o filme nem é lá tudo isso no quesito medo.

O fato é que sou um bundão. E existem coisas que bundões não podem fazer sozinhos. Tipo arrumar briga. Eis o motivo por eu ser tão calmo (ou não). Outra coisa que nós bundões não podemos fazer é assistir filmes de terror sozinho. Por isso sempre assisto ou no aconchego compartilhado do cinema ou em casa com uns 300 amigos. O medo em grupo, compartilhado, não é medo de verdade.

Por isso que hoje fui assistir ao filme “Poltergeist: o fenômeno”. Não sou um especialista em filmes de terror, nem em nenhum outro. Porém achei o filme muito bom. É o típico clichê de uma família que se muda para uma casa mal-assombrada. Não apenas isso, uma casa construída sobre um antigo cemitério (esse é o maior clichê de todos). Só faltou o cemitério ser indígena. E como todo bom clichê tem a criança que fala com os fantasmas, a criança que tem medo de tudo, o adolescente que sempre dá problema e os pais sempre céticos. Pronto, o típico filme de terror. Pois então porque achei bom?

Primeiro que tirando o clichê, a história é bem-feita. O enredo é bem elaborado. E o filme prende, e tem sustos, o que é o principal. E sustos do bom. Daqueles que fazem você escutar os mais medrosos que você falando “quero ir embora”. E tem suspense. Então apesar dos clichês, é um filme que vale a pena assistir no cinema. Porém nada justifica o 3D. Assistir ele em 3D ou em 2D não faz muita diferença. Pelo menos não achei nada em especial. A não ser a visão “do outro lado”, com os vários espíritos e tal. Mas é um momento em um filme de 2h mais ou menos. O valor não se justifica.

Não saí do filme mais ou menos medroso do que já sou. Porém quase me caguei em alguns momentos. Nada fora do normal, se tratando de mim. De modo geral, recomendo.

Mundo marginal

“Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
E acordei nesse mundo marginal”

Esse é um trecho da música “Dia Especial”, composta por Humberto Gessinger (ou Duca Leindecker). Ele abre esse texto porque é exatamente assim que me sinto nesse momento. Sonhei que as pessoas eram boas, mas acordei em um mundo marginal. Ou melhor, em um mundo que está cada vez mais marginalizado.

Continuar lendo