Eu que o diga

“Eu que o diga”. Sem dúvidas essa é uma das frases que mais me incomoda como resposta num diálogo. Pensa, você triste querendo desabafar com alguém, liga pro seu melhor amigo e chama ele pra uma cerveja. Vocês acabam de sentar no bar e tu já manda um “cara, ta foda!”. Seu amigo, na maior inocência sem nem imaginar o que se passa na tua vida, vira e responde “eu que o diga”. Pronto. Broxou o desabafo, afinal como descarregar seus problemas em cima de alguém que está passando por algo pior? Continuar lendo

A que ponto chegou a intolerância?

Enfim as férias, e isso significa basicamente curtir meu filho e ler. Para leitura comecei “A Imortalidade” do grande Milan Kundera. É uma reedição do livro, em capa dura. Fiquei sabendo com a Companhia das Letras iria fazer isso com todos os livros dele, porém até agora, e até onde eu sei, esse é apenas o segundo. Estou ainda no começo, e espero poder falar um pouco dele numa resenha em breve. Porém me detive em um trecho do livro, e vim aqui escrever essas breves linhas com umas poucas reflexões que humildemente andei fazendo nos últimos dias. Continuar lendo

Mundo marginal

“Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
E acordei nesse mundo marginal”

Esse é um trecho da música “Dia Especial”, composta por Humberto Gessinger (ou Duca Leindecker). Ele abre esse texto porque é exatamente assim que me sinto nesse momento. Sonhei que as pessoas eram boas, mas acordei em um mundo marginal. Ou melhor, em um mundo que está cada vez mais marginalizado.

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A lógica conservadora religiosa e a homossexualidade

Outro dia me meti em uma discussão com um grande amigo e um grande sociólogo (se não me engano) sobre o beijo gay, que passaria a ter a mesma classificação indicativa que um beijo heterossexual. Ou seja, poderia passar na televisão sem maiores problemas. Olhando a função cultural da televisão de reproduzir características da sociedade em que está inserida e assim complementar o filtro cultural de cada cidadão¹, eles alegaram que essa tratativa do beijo gay iria banalizar o assunto, tornando-o algo normal, o que traria sérias dificuldades aos pais na criação dos seus filhos, pois como iriam explicar para eles que pessoas do mesmo se beijando não é algo normal?

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Pena de morte e Marco Archer

Uma noite tive um sonho em que eu morria. Estava em um carro indo para um lugar qualquer com mais algumas pessoas, quando fomos abordados por assaltantes. Fomos colocados em um paredão e fomos todos metralhados. Acordei assustado e com uma sensação horrível. Acho que não existe coisa pior no mundo do que tirar a vida de um ser humano. Justo a vida que é o bem mais precioso que uma pessoa pode ter. Não compreendo como uma pessoa pode tirar a vida de outra, sem ficar com um peso pro resto da vida. Não entendo.

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Leitura em massa

Hoje estava olhando um grupo de leitura que curto no Facebook e uma das participantes do dele falou que tinha lido ou iria ler Eleanor & Park. O que me chamou a atenção foi que ela disse que escolheu ler esse livro nesse começo de ano por ser uma leitura leve e rápida, pois ela estava com as suas leituras atrasadas. Fiquei intrigado imaginando porque ela estaria “atrasada” com suas leituras. Será que ela tem só seis meses de vida e uma lista de mil livros para ler?

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Je suis Charlie!

Je suis Charlie! (Eu sou Charlie!) Essa frase contagiou o mundo, principalmente nas primeiras horas após o atentado terrorista ao semanário “Charlie Hebdo”. Foi uma singela manifestação de apoio aos sobreviventes e familiares dos mortos. Ouso dizer que é também uma forma de representar uma defesa à liberdade de expressão, que estão dizendo que foi duramente atacada com o atentado. Uma frase que contagiou o mundo todo, graças ao peso sentimental e a sensação de absurdo que o atentado trouxe à tona.

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