Mundo marginal

“Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
E acordei nesse mundo marginal”

Esse é um trecho da música “Dia Especial”, composta por Humberto Gessinger (ou Duca Leindecker). Ele abre esse texto porque é exatamente assim que me sinto nesse momento. Sonhei que as pessoas eram boas, mas acordei em um mundo marginal. Ou melhor, em um mundo que está cada vez mais marginalizado.

Um mundo onde um adolescente de 16 anos comete crimes hediondos. Um mundo onde adolescentes de 16 anos são obrigados a assumir crimes hediondos. Um mundo onde a linha tênue entre a adolescência e a vida adulta muitas vezes é ultrapassada, sem nem ao menos os envolvidos tomarem conhecimento disso. E pior, um mundo onde os adolescentes de 16 anos estão prestes a serem tratados iguais aos bandidos de 20, 30, 40 anos. Na verdade isso não acontece num mundo marginalizado não. Isso acontece em um país marginal, com aspirações de um futuro melhor, mas com o conservadorismo retrógrado enraizado na vida pública e na mentalidade da maioria da população. E esse país é o Brasil!

Vejo muito se falar em investimentos em educação, porque isso vai reduzir a desigualdade e acabar com esses sanguessugas que mamam nas tetas do governo. Vejo muito se falar sobre o absurdo que é a aprovação de leis específicas para casos de racismo ou homofobia, alegando que basta aplicar o que já está previsto na lei e tudo estará resolvido. Mas quando falamos dos nossos jovens, a solução é cadeia neles. Claro! Afinal se um adolescente comete um delito, ao invés de tomarmos as medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, vamos enviar ele para cadeias superlotadas para que concluam a faculdade, o mestrado e o doutorado em bandidagem. Ao invés de enviarmos nossos jovens para a escola, dar educação e assim prevenir a ocorrência de crimes, vamos punir covardemente esses jovens infratores enviando eles para a cadeia, selando assim seus destinos, e acabando com a única chance que eles ainda tinham de regeneração e retorno ao convívio social.

Não quero aqui defender a impunidade desses jovens. Mas não creio que tal medida seja justa e correta. Ainda mais quando olhamos a lupa nosso sistema penitenciário e o descaso do governo com nossos presos. Não há o mínimo esforço de se recuperar os detentos, o que causa um índice de reincidência de 70%. Um problema endêmico, como é o da criminalidade no Brasil, não se trata com medidas paliativas e embasada nas exceções. Sem falar na tendência certa de tal medida atingir apenas as camadas mais pobres da sociedade, aprofundando nossa desigualdade social. Isso é apenas vingança, pura e simples.

Em suma, aprovar a redução da maioridade penal só terá efeitos negativos, em nada contribuindo para a efetiva redução da criminalidade (como alias já se comprovou em todos os 54 países que adotaram tal medida). E dessa vez meus amigos, eu afirmo e reafirmo que a culpa é sim do PT, que chocou os ovos da serpente dentro de sua própria casa, e agora se vê refém de uma base aliada que está cada vez mais se mostrando sua maior oposição.

Parabéns a todos os envolvidos!

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