Pena de morte e Marco Archer

Uma noite tive um sonho em que eu morria. Estava em um carro indo para um lugar qualquer com mais algumas pessoas, quando fomos abordados por assaltantes. Fomos colocados em um paredão e fomos todos metralhados. Acordei assustado e com uma sensação horrível. Acho que não existe coisa pior no mundo do que tirar a vida de um ser humano. Justo a vida que é o bem mais precioso que uma pessoa pode ter. Não compreendo como uma pessoa pode tirar a vida de outra, sem ficar com um peso pro resto da vida. Não entendo.

Por isso sempre me posicionei contra a pena de morte. Sou a favor de um endurecimento das leis e uma aplicação de fato dessas leis, mas acho lamentável uma pessoa tirar a vida de outra, então porque eu iria tirar a vida dela? Porque usar da mesma prática espúria contra uma pessoa igualmente espúria? Para me igualar a ela? Sem contar que sempre achei a pena de morte algo muito impessoal. Afinal a pessoa que manda executar, não é a mesma pessoa que executa. Então a pessoa que manda executar pode até se desvencilhar da culpa pela morte de outrem, afinal não foi ela quem executou o acusado. Queria ver existir pena de morte se a pessoa que determinasse a pena fosse a mesma que executasse a pena.

Por isso não consegui ver a execução do brasileiro Marco Archer com tamanha apatia ou até contentamento quanto alguns. Não concordo com o que ele fez. O tráfico de drogas é algo que precisa ser amplamente combatido. Mas não consigo concordar com pena de morte. Jamais. Não consigo concordar com a lógica do bandido bom é bandido morto. Não consigo concordar com a lógica de alguns em que “cidadãos de bem” usam das mesmas práticas combatidas por eles.

Mas o caso do brasileiro chama a atenção para um fato. Ele foi julgado pelas leis do lugar onde ele cometeu um crime. Mesmo não concordando com uma determinada pena, como a pena de morte, sou contra desrespeitar as leis, sejam elas qual for. Ele cometeu o crime de tráfico de drogas em um país onde esse crime é condenado por morte. Foi julgado e condenado, de acordo com as leis daquele país. Não podemos deixar de ter em mente que o erro principal foi o dele. E que esse erro foi cometido em outro país, e que deve ser julgado sob as leis desse país.

Volto a dizer que sou absolutamente contra a pena de morte. Sou absolutamente contra a pena a qual ele foi submetido. Mas não podemos, por discordância pessoal, querer infringir as leis de outros países. Lamento profundamente a morte do brasileiro, assim como lamento profundamente a morte de qualquer ser humano.

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