[Resenha] A Festa da Insignificância

Capa do livro.
Capa do livro.

Milan Kundera é um autor Tcheco muito famoso, mas que me era desconhecido até bem recentemente. Tive contato com ele pelo seu ultimo livro A Festa da Insignificância. Estava no metrô esperando minha namorada, rumo a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, sem nenhum livro em mente para comprar. Estava indo apenas me torturar um pouco por entrar numa livraria enorme e sair de lá sem nem ao menos um livrinho de palavras cruzadas. Enquanto espero minha amada decido entrar no Facebook e me deparo com um post da Companhia das Letras com os livros mais comentados da editora, e eis que encontro um comentário fantástico e intrigante sobre A Festa da Insignificância. Pronto, estava decidido, vou comprar esse livro.

Milan Kundera estava há uns 14 anos sem escrever. Após esse período de reclusão, ele decidiu voltar à cena e falar sobre a insignificância. Sobre a insignificância de que? Da existência humana. Ele conta a história de quatro amigos parisienses que buscam dar algum sentido a suas vidas. E nos pensamentos de cada personagem ou nas conversas em grupo deles, Kundera busca retratar com bastante ironia e humor os dilemas insignificantes que ocorrem durante a insignificante passagem de cada um pela terra. Ele discute desde o papel do umbigo na sociedade atual até a falta de senso de humor que o regime stalinista havia imposto a toda Rússia durante sua vigência.

Bastante provocativo, porém uma leitura bem leve e fluída, Kundera nos obriga a encarar e refletir sobre a nossa própria insignificância, principalmente por usar assuntos cotidianos que podem interessas a qualquer um, como pano de fundo de suas reflexões. É um livro tão gostoso de ler, e ao mesmo tempo tão enigmático que merece ser lido mais de uma vez. E será.

Adorei a escrita do autor, que com certeza ganhou mais um leitor. Já reservei outros dois sucessos dele na Livraria Cultura (A Insustentável Leveza do Ser e Risíveis Amores). Ele consegue prender sua atenção no livro e te faz refletir de forma completamente automática, sem você ao menos se dar conta de que está pensando sobre determinado assunto. Outra coisa que me chama a atenção no Kundera é a capacidade dele criar títulos intrigantes e não apelativos para seus livros. Da até pra você se fingir de intelectual no metrô (não que eu tenha feito isso).

Sou fã da Companhia das Letras pelo capricho que ela tem na confecção de seus livros, mas nesse ela se superou. Uma linda arte de capa, livro em capa dura e impresso naquela folha Pólen da Suzano que é fantástica para leitura, além de ter usado uma ótima gramatura. Um livro perfeito, ainda mais se você é colecionador que nem eu. Comecei o ano lendo esse livro e sem dúvidas comecei com o pé direito.

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