Equipe Econômica e Selic

Demorei mas enfim vim comentar a nova equipe econômica do governo Dilma. Governo esse apelidado de “Dilma 2.0”, por ser uma guinada a ortodoxia e um governo mais aberto ao diálogo. Mas falemos primeiro da equipe econômica. Começando por quem não saiu, continuaremos com o Tombini na direção do Bacen. Uma ótima escolha para o banco, que tem como desafio fazer a inflação voltar ao centro da meta, e até mais abaixo dela. Ele é um nome de extrema qualidade e competência, previu em 2012 um cenário adverso e iniciou um processo de redução da Selic, que chegou a 7,25% e permaneceu nesse patamar por um bom período. Dizem que ele errou em demorar tanto para retornar a subir a Selic para contar a inflação, mas de fato a queda da Selic foi fundamental para o modelo anticíclico que o governo Dilma usou. De fato está com problemas em fazer a inflação retornar para o centro da meta, mas a isso atribuo dois motivos. Primeiro seria o principal motivo da inflação. Ela não é apenas uma inflação de demanda, mas de custos, o que afeta a oferta. Além de ser uma inflação majoritariamente de serviços, que sofre uma grande elevação graças as indexações que determinados serviços sofrem. Outro ponto seria a expansão dos gastos do governo, que deveriam ser um pouco mais contidos em momento de inflação tão pressionada.

Acredito que nessa parte de contenção dos gastos do governo nosso mais novo ministro da Fazenda irá ajudar. Joaquim Levy é um economista de perfil claramente ortodoxo, o que é em si uma contradição com os ideias do governo. Mas acho que esse papinho é só desculpa pra oposição encher o saco. Não há porque ficar pensando nisso agora, afinal se permanecesse alguém de perfil alinhado com o governo, teríamos continuidade do Mantega e onde iríamos parar? Primeiramente deixe eu esclarecer uma coisa. Não sou, e acho que nunca serei, um economista ortodoxo. Tenho mais perfil heteredoxo, keynesiano. Porém não sou um alienado que defende uma linha de pensamento a ferro e fogo. Todas as linhas de pensamento possuem seus pontos fortes e fracos. Para compreender melhor sugiro a leitura do artigo “Desenvolvimento Sustentável” do Jeffrey Sachs. Enfim, não acho que continuar com políticas heterodoxas iria fazer a economia retomar. Acho que o governo cometeu alguns erros na conduta da política econômica nesse cenário adverso, e isso pode ter sido fundamental para que a economia não respondesse como esperado. E nesse caso, só resta uma saída, virar um pouco para a ortodoxia, e poder gerar a poupança necessária para o governo retomar os investimentos necessários para impulsionar a economia. Por isso acredito que Joaquim Levy foi uma ótima escolha para a pasta da Fazenda. Um economista de perfil técnico, que tem a aprovação e confiança do mercado (podendo fazer a taxa de investimento voltar a crescer) e que está empenhado em gerar resultados positivos, e principalmente, factíveis.

Por último temos a indicação de Nelson Barbosa para a pasta do Planejamento. Outro nome que gostei muito, mas principalmente pela sinalização de que o Planejamento irá voltar para o protagonismo na execução de política econômica do país, e tira o peso das costas de um único ministro. Isso deixa claro também que o governo não irá parar de investir, mas irá refinar os investimentos para atacar setores problemáticos com responsabilidade fiscal e de forma mais contundente. Creio que isso é fundamento para voltarmos a elevar nossa taxa de investimento, e reverter o processo de desindustrialização que temos sofrido nos últimos anos.

Sobre a taxa Selic, eu terminaria o ano com ela a 12%. Isso mesmo, teria elevado ela em 0,75 ponto percentual. Assim teria um tempo de folga para ver como a inflação reagiria até a próxima reunião do COPOM, e caso não fosse tempo suficiente, poderia manter ela em 12% para mais um período de avaliação. Tendo resposta positiva, iria gradualmente reduzir ela até patamares aceitáveis. Mas mesmo assim acho acertada a escolha de elevar a taxa, mas não devemos encarar ela como única ferramenta de controle da inflação. Até porque creio que não é apenas a demanda que está pressionando, mas também, e principalmente, a oferta. Destravar investimentos seria a melhor política de contenção da inflação.

Feito essas reformas estruturais necessárias a economia, que acho essa equipe preparadíssima para executar, creio que o crescimento do PIB será consequência. Mas não esperem crescimento de 2% logo no primeiro ano. Mas o mais importante não é o tamanho do crescimento, mas sim um ambiente para um crescimento sustentável.

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