Concorrência Bancária e Taxa de Juros

Não é segredo pra ninguém que o Brasil pratica umas das maiores taxas de juros bancárias do mundo. Nesse link do Banco Central do Brasil (BCB) nós podemos visualizar as taxas por instituição e por categoria de crédito. Para o Cheque Especial praticamos uma taxa média de 116,17% a.a, já para o Crédito Pessoal não Consignado a taxa média fica em 175,30% a.a. No Cartão de Crédito é algo em torno de 242% a.a. Para se ter uma ideia de comparação, nos Estados Unidos é algo em torno de 16% a.a e eles estão achando ruim.

No post passado eu falei sobre a importância da inovação para o desenvolvimento econômico de uma nação. Schumpeter apontava o crédito como principal fonte de renda para financiar inovações tecnológicas. Claro que em cenários de crédito muito elevado, fica complicado investir em inovação, pois a taxa de retorno do investimento é menor e com uma taxa Selic a 12% a.a compensa mais deixar o dinheiro rendendo juros, do que investir em algo arriscado sem retorno garantido. No Brasil praticamos uma taxa média de 26% a.a para crédito consignado de longo prazo (acima de 365 dias). Menor do que o juros para pessoa física, mas ainda assim elevado.

Para ilustrar imagine que você irá abrir um café e pegou um capital de giro de R$ 20.000,00 em 24 meses. Considerando uma taxa média de 26% a.a, temos uma taxa média de 2,17% a.m. Você terá que pagar para o banco parcelas de R$ 1.077,89. Multiplicando isso por 24 meses temos R$ 25.869,48 de valor total pago. Ou seja, você irá pagar R$ 5.869,48 em juros ao banco. Fora as demais taxas cobradas no financiamento. Como investimentos em P&D é muito maior que R$ 20.000,00 esse cenário se torna insustentável. Bancos públicos como o BNDES praticam taxas subsidiadas em torno de 5% a.a, algo muito mais saudável.

Porque praticamos taxas tão altas assim? Essa é sem dúvida a pergunta de R$ 1.000.000,00. São várias as determinantes das taxas de juros. Podemos atribuir ao spread bancário, taxa de juros, risco do financiamento, etc. Mas outro ponto que podemos chamar a atenção é par a estrutura do mercado bancário brasileiro. Segundo uma notícia veiculada pelo Valor (link aqui), a concentração bancária no Brasil se elevou. Para se ter noção, a concentração do crédito na mão dos 4 maiores bancos brasileiros chegou em 76%. Ou seja, de cada R$ 100,00 emprestado, R$ 76,00 advém dos 4 maiores bancos brasileiros. Apesar da negativa do BCB, temos uma configuração de um setor oligopolizado. Isso pode gerar um conluio na definição das taxas de juros (por isso mantidos tão altos) e dificuldades na entrada de novos concorrentes (manutenção da estrutura).

O Governo tentou baixar a taxa de juros na marra, via Bancos Públicos, porém isso não gerou os efeitos esperados. Talvez a melhor forma seja abaixar via redução estrutural da Taxa Selic, e aumento da concorrência. Esse é o maior desafio.

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