Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Econômico

Schumpeter foi sem dúvidas um dos principais expoentes da Inovação Tecnológica como motor do desenvolvimento econômico de um país. Acredito nessa tese, e acho que o mundo se divide entre dois tipos de países:

1) Os que estão na fronteira do desenvolvimento tecnológico. Esses são os países que produzem tecnologia, inovação, etc.
2) E os países que são importadores de tecnologia. Que apenas se apropriam da tecnologia gerada fora, aprimora sua produção, mas não gera nada de novo. Isso gera um desequilíbrio pois os ganhos produtivos podem ser destruídos pelo pagamento de royalties pela tecnologia importada.

Inovação tecnológica não é algo que se cria do dia para a noite, mas sim uma construção social ao longo do tempo. Isso significa que não adianta apenas investimentos em P&D, mas sim um investimento conjunto onde a educação também seja contemplada. Sem contar que isso é um processo de longo prazo, ou seja, é um processo que não dá frutos imediatos.

Os países exportadores de tecnologia são os que perceberam a mudança nas cadeias produtivas e notaram importância que a tecnologia passaria a desempenhar, e começaram a investir nisso. Os que importam tecnologia são os que perderam essa mudança, ficaram travados em estruturas arcaicas enquanto o mundo se modificava. Atualmente os países desenvolvidos são os exportadores de tecnologia, e os subdesenvolvidos são os importadores de tecnologia.

Porém ser um importador de tecnologia não é de todo ruim, desde que seja uma fase passageira. Ser por muito tempo apenas um importador das inovações geradas em outros países cria uma relação de dependência, que acaba por atrasar o desenvolvimento econômico. Porém como o processo de criação tecnológica é de longo prazo, importar tecnologia é necessário enquanto os investimentos em P&D e educação não se revertem em ganhos e inovação.

Eis que hoje me deparo com duas notícias que me fizeram pensar sobre a situação do Brasil como um país criador de novas tecnologias. A primeira diz que a China irá liderar P&D em 2019, segundo a OCDE (link aqui).  Ainda segundo a notícia entre 2008 e 2012 os gastos com P&D da China dobraram. A China é um país atualmente subdesenvolvido, que vive em um regime totalitário e que é um abismo social. Visando reverter esse quadro, ela claramente aposta em inovação. Ela da um salto para frente, enquanto parceiros como o Brasil dão poucos passos ou apenas ficam parados.

A outra notícia é a de que uma tecnologia desenvolvida para um avião ajudou a criar o sistema de GSM, para celulares, usado atualmente por mais de 1 bilhão de pessoas (link aqui). Isso demonstra como investimentos em P&D podem gerar ganhos além das fronteiras iniciais em que foram concebidos. Outro exemplo é o caso da Internet, que foi originalmente feita para uso de comunicação militar, e hoje é uma das criações mais importantes da humanidade.

Investir em Educação e P&D é a chave para o desenvolvimento de uma nação, e precisa começar a ser encarada como prioridade pelo governo brasileiro. Nas últimas duas décadas avançamos muito em distribuição de renda e acesso a educação. Mas precisamos agora ir além. E isso só será possível com muita vontade política e muito investimento.

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